domingo, 7 de agosto de 2011

Cartas para o Absurdo

Cartas sacrílegas para o absurdo
Tornam-se estranhamente sãs quando
Dentro das manhãs malsãs pergaminhos
Inóspitos são os únicos consoladores

Escravos insólitos do escarninho contam anedotas
De terceira, cristalizados na falta do haver
Suficiência generalizada drogando a corte do poder
Sim, é transubstancial a apelativa norma da tristeza

A realeza desrealiza-se, desacelera e desnivela
Tramando o que se anela, há nela o desvelo cósmico
Genético código ético o poder torna cético
O que nele crê, descrente de sua capacidade de ver

Sobressaltos e sabotagens , lugarejo árido lunar
Jeitos, coisas, pessoas, sortilégios sinceros
No meio do deserto, eu, solitário, encontro
Amortecido, uma luneta, muleta, bola de cristal ou tal

Tudo que se enxergava através daquela luneta
Era a distância embaçada no meio da vida-estrada
Um horizonte presente e distante, breve e vibrante
Escorrendo por entre os dedos cansados do nada.

Afinal vago vestígio, me perco, me centro
Acercam locadores loucos do destino
Vagando vagueio no vagão da antiga solidão
Eternamente. Séculos afora, vidas adentro.


Renata Rothstein

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