sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Estações

No cio das estações tocam as cítaras da liberdade
Degredos e celebrações -realidades- fantasmas e visões
Suspiros irreais arranham sótãos empoeirados do eu
Lamenta o choro a tristeza antes tão fantasiada de alegria
E sorria
Quando pantanosos paraísos invertidos assumiam poderes tais
Lá fora tornado loucamente divertido a aviltante lucidez
Talvez a incoerência mantida em toda demência soe mais altiva
Talvez seja e ninguém suspeita do nada à espreita
Quando a madrugada assiste estupefata e soberana
O nascimento das flores do caos
Deslizo e seduzo a toda não pressa de assistir o já consumido
Alinhar o solitário eixo do meu ser passa, portanto, a ser
A antítese do necessário quando o contrário de tudo o que sou
Já não explico, mas no meu silêncio há só um grito
E se eu me acho dentro daquele lugar lá fora
Longínquo e inóspito é porque agora sou só eu quem chora
E choro só
E corro e procuro e deploro e imploro inverto universos
Exploro as contradições esperando ao menos um eco
Ecoa, no entanto tão somente o silencioso meu coração
Entretanto a tormenta aparente quando atormenta estremece
Saudades ciciam nomes perdidos no cio das estações
Visões fantasmagóricas de cruel realidade celebrando a liberdade
Finjo embriaguez contradigo o óbvio - rir da irrealidade
Tocam ao longe as cítaras no degredo e há ganho
E o recomeço quando, enfim, trocam-se os teares
A vida simplesmente e rumos que não se conhece
Segue
Apesar dos néscios olhares, apesar dos muitos pesares
Prossegue.

Renata Rothstein

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Esferas

E eu que insistente duvido das minhas incertezas
Interrogando diuturnamente minhas certezas
E rogo e peço e clamo e acredito que logo
Rogo para que sem tardar desperte
Assuma descubra desassombre sobriedades
Desmoronando a toda falsa verdade
Transformada enfim em pó
Desmistificadas as mais sábias ignorâncias
Cale-se qualquer estudada arrogância
Ânsia somente ante o cálice do simples
Transbordante libertador extasiante transmutador
Ressurja a desejada assustadora realidade
Sempre tão presente na desrealização
Quantos amanhãs – ainda – no calendário
Já se foram e não vimos e não ouvimos
Tanto o que não queremos
E assim esperamos pelas manhãs
Tão estranhamente malsãs
Ampulhetas invertidas tempos diversos
Tempo. O mesmo
Da mesma indefinível vida
Entre o que não deve ser e o que é
Sendo aquilo que -inteligente sina- deve ser
Sentindo prossigo ao largo da pseudo-solução
Evocada generalizada ilusão difusora da desilusão
Qual o sentido fora dos padrões querida a solidão
Luzes artificiais também iluminam respostas
Mágicos encontros vidas idas e vindas
Silenciosamente a esperança prossegue
Dentro dessa esfera angustiosa solução
Despeço o tormento lamento
Tempo ao tempo...
Desconheço o quanto de tempo
Calmamente aguardo o momento
Dentro do nada simplesmente
Abraço a amplidão


Renata Rothstein

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Limiares

Limiares dos milhares risíveis sofríveis absurdos
Aviltante desonra resvalo mudo mundo afora
Agora os mundos fora resistem aqui dentro
Foram-se os nós, aqueles mesmos velhos sóis
Em nós sequências fragmentadas não declaradas
Mares artificiais em mim mudo inundo meu mundo
Perto do fim registro o que se apague quando
Vestígios de celebrações em mim civilizações
Ressurge um mundo anos luz do imundo mundo
Desiludido fascínio provinciano e repito quantos
Arquitetônicos espaços haverão nas estrelas que brilham
Fazendo do além céu um além mar invisível a fronteira        
Renasça pois no fim aquilo que nunca houve e traga
A entrega sacro devassa do encanto desenfreado
Perceptíveis zombarias psicóticos entes alhures
Apocalipses vidas em elipse fugas em eclipse
Mundos profundos recobro o inconsciente inconsistente
Recorrente frenesi na ardência impotente
Submeto ao jugo mítico o inventar
Do caos levanto fortalezas faróis me guiam
Cerro os olhos levanto caminho mundo
Corro invencível coro de sempre
Vislumbro cumpro devaneios nunca 
As certezas


Renata Rothstein

domingo, 2 de outubro de 2011

Vendavais

Antevejo murais limiares estelares espetaculares
Vias lácteas labirínticas monumentais estátuas lunares
Lunáticas labaredas sedes da sede do ser sempre
Ando aprendo o esquecimento necessário e lento
Renúncias obrigações caminhadas olhares
Olhos vendados influxos esdrúxulos em mente
O fluxo dos vagalhões mentes sufocadas que se perdem
E mentem e a vida vadia vagueia vocifera
Fera na esfera ferida ânsia ferina fascina
Desmedidos poderes aparecem perecem nos seres
Porém imperam despotismo invertido
E é tudo pó
Vontades desinformadas lamentos solitários
E é só
Tornada sua a vontade alheia queira ou não ela se esgueira
Dentre os aliados alinham-se desalojados receios
Alelos destinos parelhos estranhamente paralelos
Na pele anelo justiça feiticeiros multifacetados
Forjam o amanhã mortíferos renascimentos
Lembranças fatos esquecimentos natimortos
Antídotos
Pressinto a gentil sutileza do não ser - sendo
Esquecendo de tudo apreendo me rendo
No violento vento dos vendavais me perco
Transformo e desejo e não vejo voltar nunca mais
Deixo o que ficou para trás
Lampejo de horizontes
Reticências
...


Renata Rothstein

domingo, 25 de setembro de 2011

Voo para longe, dentro de mim



Voo para longe ao encontro de mim mesmo
Dentro de mim começo quem sabe se há um fim
Alguém de fora que foi o que um dia eu quis
Oferto o que já não tenho e perco o que não me pertence
Para que assim renascendo turbilhão exasperante
Cruze metafisicamente as paralelas vias atemporais
Daquilo que permanente por enquanto está
E do que estranhamente nunca houve antes
Aquilo que  nunca antes tão pouco ouvi
Estações temporais sensações convenções
A toda monotonia fuga do convencional
Sanções diretrizes voo vou em busca de raízes
O limítrofe racional auto destruído é libertador
Sou o que não sei um livro um sonho uma janela aberta
Infinidade divindade liberdade insanidade
Recorro à incoerência corrompo a impotência
De tudo o que ilusoriamente transgride minha ciência
Assumo arrumo sumo ressurjo presumo
Voo e afundo e aprumo meu descaminho
Incansável sigo bravamente embora ainda veja
Sigo colhendo impressões e solitário é o caminho
Contraste doloroso e gritante na absurda multidão
Permanecer ainda que presente um ilustre desconhecido
É reconhecer-me - mea culpa - ausente no meu próprio ninho.

Renata Rothstein

domingo, 18 de setembro de 2011

Há Vida

Tão ao largo que me desencontrei
No inverso do inverno de um sonho
Conformada me desarmei desafiadora quando amei
Encontrando nas sinas sonoras da manhã
A ascensão misteriosa átrio-valor-terra
Não sei se a um pensamento vassalo ou rei
A resposta cala e a pergunta se encerra
Quando as condições foram quebradas
Foi ao chão o fim da era começada
Troquei o fictício pelo igual real desilusão
Por onde escapa um esteio de realidade
Partindo repetidamente repentinamente
Sem aviso de chegada ou partida?
Pela vida sigo entre dogmas e racionalidades
O inverso desorientado do tudo tornado tarde
Enlouquecendo furiosamente cedo
Intermináveis instantes
Clareando obscurecidas alternantes fontes delirantes
Elos deflagrantes sinais sinos silenciantes
Exito. Êxito fragrante. Flagrante beligerante
Do alto a salvação, mas, se todos seguros estão
Para quem trabalha - duro - a ameaça da condenação?
Condena-se a submissa inadiável temerosa condição
Perifericamente transpõe-se a vitória
Ensaiadas detalhadamente batalhas tornam-se pantomimas
Mas onde estará, oculto, posto o indócil substituto
Segmento purulento ardiloso e lento em face de tudo que foi
Exaustivamente exposto?
Exponho meliantes sinapses antecessoras da incapacidade
Cidades astrais constrangedoramente visíveis carregam de si
O que sobra da pouca rouca louca, portanto, sanidade
Captam em meio ao medo o medíocre luxo e eu
Lustro a luxúria lunática de lodo
Imortais rojões emperdenidos sabotam anseios
Absorta absorvo tão somente absolvo a absurda antítese
Abstraio não me atrai o traiçoeiro trajeto que vai
E se esvai, revivo, em tudo
Sentindo na pele a pequena fração de eu
Necessário é jogar-se ritualisticamente
Sem crer na divinatória oratória
Daqueles que comandam a lida
Necessário apenas é seguir
Não importa a direção que nunca é escolhida
É necessário apenas seguir
E perseguindo
Viver a vida
Enquanto ainda
Há vida


Renata Rothstein

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Antes que seja Tarde

Tarde triste
Silenciosa
Fim de inverno
Eu
Silencio
Tristeza arde
O fim do inferno
Quando?
Esqueça
Não meça o dano
Dane-se o engano
A tantos quantos conto
Imagino
Há tantos tontos
Destoam nas impuras
Equivocadas linhas
Do destino
Fim de inverno
Silêncio
Tristemente tarde
Ar de você
O fim do inferno
Lutas no breu
Batalhas feridas vitórias
Vida
Finja surpresa
Tanto quanto eu
Danos e enganos
Impurezas torturantes
Tornam brilhante
Corrigem o já inequívoco
Destino meu
Eu sigo prossigo
Sempre sozinho
A tarde parte
Eu parto
Antes que seja
Muito tarde


Renata Rothstein


Observo a Vida pela Janela



Observo a vida pela janela
Espreito por uma fresta
Sempre aquém da tela
Da vida
Há vida, vinda
Através da janela
Seguindo cada vez
Mais bela
Só pra me fazer lembrar
O quanto um dia
Já fui feliz
Simplesmente por ser parte
Dela
O dia que nunca termina
Determina enfaticamente
Reverberando querência
Continuamente aprendiz
Ser tudo aquilo que sou
Feliz
Percepções delitos ações
Vivo
A agridoce constante escolha
Sempre pensando além
Mesmo aquém da janela
Se é que ainda continuo
Indignada fresta sigo sou
O que trago e o que entrego
Intrépido estupidamente
Por ela vislumbro
A janela
Um dia me acho atravessando
O portal que me afasta
De mim e me rendo e me reencontro
Indo finalmente ao encontro dela


Renata Rothstein

Sideralmente caminho

Sideralmente caminho tempo adentro
Há dentro de mim – felizmente- um não poder
Instrumentando definições argumentos aflições
Soluções afora ao transpor lumes ventanias

Vagando na ânsia da procura delirando melodias
Entregar o que não há tornado imediato sempre igual
Somente poeira e lembrança restos da fogueira espacial
O permanente descrente desconhece determinismos

Eu não almejo triunfos oriundos da orgia
Lunática impregnada do pensar tudo
Doce sensação muito nada e vaga de pertencer
Repudio ao tédio meu repúdio avança pelo dia

Meio dia da vida dilúvio desvanecido
Enraivecido no mistral arrefecido
Aqueço esqueço antevejo o desprezo
Despeço andarilho o mítico andarilho

Sonho afogo o fogo assopro o ilimitado jogo
Jogado afago no cântico o despedido encanto
Expurgado alardeia-se apenas a claridade ardente
Das psicoeventualidades cremadas no pôr do sol


Renata Rothstein

domingo, 28 de agosto de 2011

Madrugada



Linda madrugada egrégoras infindas
No intangível estacionam divinais
Difusas esfinges do nada ser
Validade indefinida justo permanecer
Isoladas cristalinas raras pétalas
Flores de diamante dádiva flor incriada
Manhã orvalhada sabido é incompreendida
Outrora pela noite enluarada tragada
Visões espaço paradisíacas demonstram
A raridade quando se observa além
O impossível o ilusório o inacreditável
Assistentes insistentes andam de mãos dadas
Falidas filosofias esgotam-se no fim
Desafiando a saudade ainda que inexista
Pétalas despertam ao serem despetaladas
Dentro do invisível já não me sei visível
Manhãs espaciais especiais naves
Deliciosa sensação ser um ser invisível
Navios voadores marujos descobridores
Tão próximos tão inatingíveis rumores
Prelúdios hialinos ingressam no momento exato
Insubmissa lição missão desafiante
Por no descaminho o desfecho
Intransigente sem certo e sem errado
Confio caminho inteligente destino
Inalterável


Renata Rothstein


sábado, 27 de agosto de 2011

Segredos

Sagrados segredos segregam o simbólico
Doravante perpetuam-se as mesmas dúvidas
Inconsistentes inconstantes presentes
Seqüência freqüência demência anuência

Descabido inconcebível celebrado o pacto
Nada mais resta parto despistando o auto rapto
Simplesmente permito e o porto me abraça me abarca
Alastrando a insólita descontinuada efervescência

Vivo evoluo experimento ausento minha própria essência
Solucionando esbaforidos princípios finalizados calo
Torrentes espargem boas novas auspícios
Doces inaudíveis “eus” sussurrantes ao luar meu lugar

Irracionalizando meu ato atenuante símbolo desatado
Atino o desconhecido antigo usual despistar
Afasto-me. Basto. Bastões de ourivesaria. Bato.
Abre-se a porta estratégias do tudo que não queria

Rumores sentenciam à antítese da sintonia
Calada a sinfonia retomada a monotonia
Sigo moderadamente alegre allegro moderato
Viver seguir desistir resistir vias de um mesmo ato






Renata Rothstein

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Imaginações

Só desejava de volta o próprio eu borrado quase breu
Gravado tão guardado esquecido nalguma gaveta
Por tanto tempo que no próprio momento
Perdeu-se. Tão bom esconderijo esquecido tolice

Arrependimento do ontem deslizando entre os dedos
O momento em que emergia sublime o então presente timbre
Auge da felicidade escapando da realidade relativa
Tudo o que havia era o peito a dor e uma alma vazia

A casa vazia a gente que não havia. O retrato
Apenas ele que numa lembrança fugidia sorria
Relicários espectrais assumem postos e identidades
Torpores inventados fugas cômodas necessidades

Ainda o é e será enquanto houver
Profetizo haverá muito embora a multidão
Grite, alardeie, incendeie, só a solidão
Repleta de assombrosos calafrios segue só

Só segue suportando insuportáveis sacrifícios
Insaciáveis incansáveis intensas ironias
Os dias são passados visões anos luz
Archotes esquecidas impossíveis lições

Rendamos graças a todo desprezar
Olvidando serenado fica o turbilhão
Iludido no resoluto luto me debato liberto do luto
Escapos no imaginário devolvem ao caos a ilusão





Renata Rothstein

Capciosos Abraçaralhos

Repleto de assombrosos calafrios segue só
E segue e permanece e apenas pela luta há libertação
Guerreiros siderais bradam cantos de guerra
Magos feiticeiras magias guardam as sentinelas

Da janela avista-se a vela o farol guia o retorno dela
Anela o impossível ter a coroa o cetro a panela a gamela
Abraçaralhos por analogia excruciantes dores de parto
Aspergindo no disparate da abraçarologia o louco que tudo via

Venenosas anti bênçãos disfarçadas na pudica podre putaria
Não temo sorrio lamento não há tempo o príncipe da tesouraria
Traz tropeçando nas barras da saia os odres repletos da patifaria
E destemperado sorria bastardo digo basta de tanta zombaria

A toada bélica ensaiada trará à tona a perdição
Mentiras minguadas enfadonhas enjoam peço permissão
Corruptelas atrelam-se a terra a terra do sempre não
Aonde crescem as mentiras, os abraçalhadores continuarão anões

Quando a simples dignidade apresenta-se tarde
Logram-se efeitos defeituosos caminhos capciosos
Anciã ânsia do justo certo correto ser o que há
Lamento no seio da terra coberto de terra um dia ele estará


Renata Rothstein



Eterna Aprendiz

Eterna aprendiz de universos infinitos, futuros presentes, esfuziantes
Sou apenas curiosa passageira de um circuito itinerante instigante
Milenares singulares minutos transcritos em tinta azul
Quando surpreendente segundos tornam-se alquimicamente

Magistrais e resplandecentes horizontes sem fronteiras da mente
O extremo simples e diferente - o paradoxal
Paradoxos pinçados diuturnamente no igual?
Sim. Diferentemente semelhança tal

Soergo nego meu ego permaneço sozinha pelo teatro divinal da vida
Indeléveis sempre espetaculares milênios
Sigo a mesma menina mulher
Eterna peregrina protagonista antagonista espectadora expectante

Transmutando eternidades em instantes
Coadjuvante atuação triunfante fulgura almejo o antes
A co-autoria da odisséia diria que a mim cabia - sabia
Permanecer é conhecer o risco de conhecer a transitoriedade

Às vezes, contra a vontade, arde no peito a clandestinidade
Quando o tudo que é possível sem aviso parte, regressa, permanece
É que se mede a discrepância do inverso da intolerância
Dentro da noite em mim os conselhos que, aliás, não requisitei

Retratos da imposição, conversam com minha'lma a pluma dourada
Sonhada e o plúmbeo meu lugar sótão solidão
Aprendo de vez a lição acarinho meu bipolar coração
Experimento nas manhãs translúcidas a vida

Vida. Vívida. Viva. Vivida. Rediviva
Permanente, por toda a Vida
Espelhos deformados auto quebram-se de contrariedade
Luzes invisíveis retornam trazendo o novo na semente da criação.


Renata Rothstein






quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sorria, você está sendo carcado!

Sorria, você está sendo carcado
Espalhe logo pelos quatro cantos
O antigo antro novidade entra ano sai ano
O do povo continua sendo ralado
E tem a ala esquisita dos que dizem pagando bem, que mal que tem?


É, amiguinho, estamos de curralado
Ops, encurralados na chibata de todo dia
Presas fáceis no arpão da escrota vergonharia
Não se envergonha, sorria!
Sorrindo e dando bom dia quem sabe nem doeria?

Já temos (abençoados!) o direito obrigatório de votar
Perpetuando no erro alheio à danada da putaria
Engolindo mensalidades, barbaridades, abjetos mensalões
Esgoto à exaustão o suado insistente desejo de ser apenas um cidadão
Carcado cidadão cerceado mais um no meio de tanto bundão

Instituída a podridão quase generalizada, de lá e cá
Só me resta pensar, mas em que merda de lugar é que eu vim parar
Mas eu não calo eu falo embora sabendo que o melhor é ficar quietinha
Fingir que não há... de repente percebem que estou tentando trabalhar - param um pouco de defecar
E inventam logo mais algum imposto que será imposto só pra me ferrar!


Renata Rothstein

Para o Meu Amor



Para o Meu Amor

Deliro despisto desejo devido devolvido duradouro derradeiro Amor

Astrais considerações consideráveis me lambuzo me perdendo em você

Me encontro na querência do querer infinito alimento o fogo de ter

Em você vestígios de mim eternidades comprovam

O melhor do que há ainda em mim, feito e ofertado a você

Sem começo e sem fim caminhos que sempre trazem você

Forjado a ferro e a fogo espaço em mim começo, de novo

E novamente te amo, reencontro flertado angelicamente

Te amo me lanço me largo não há retoque que caiba entre nós

Dos nós que nós fazemos ardendo no selo do sê-lo ser tudo Amor

Tramas tramóias traumas tratos desfeitos jamais aceitos não podem alcançar

Amando desejo me rendo me entrego te quero desejo suspiro não posso calar

Vivo e vivendo aprendo a arte de viver somente por te amar.

Te amo.


Renata Rothstein





Desfiladeiros



Desfiladeiros elípticos espargindo sensações recorrentes
Decorrentes do nascer intenso febril agente
Vigias moribundamente perfilados contam segredos ao pé do ouvido
Não ouço, não dou ouvidos, estranho, a invigilância

Pode ser dom quando quadrantes desfigurados
Esfacelam a vigília equivocada que perscruta, mas não acha nada
Aliviando esporadicamente consciências vem a dona da indolência
A cômoda ilusão da auto saciedade - quem sabe?

Barqueiros charônicos irônicos espreitam e esperam sua mísera barganha
Miséria no canto de despedida a desmedida impedida
Implora ao barqueiro - estafeta de não sei quem
O derradeiro desejo o de estar presente errante solenemente

Errando acreditar-se presente na triste reunião dos sempre ausentes
Hipoteticamente pateticamente somente os ausentes estarão sempre presentes
Cumpre-se o destino lançar-se ao tudo única opção que há
Desfiladeiros desfilam desafios derradeiros desafiadores degredos.


Renata Rothstein

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Nós, os Simplórios



Nós, os simplórios
E nossas raras cerejas, nossas muitas cervejas,
Nossos gracejos e nossos arpejos
Vivemos sabidamente insistentemente
Topando brincar de teimar simplificando o gracejar
Arpejar arpejo tantas vezes ameaçados de despejo
Despejo de nós mesmos notórios
Ingênuos porém argutos vivendo a muito custo
Simplórios destinos detidos inglórios
Nossas cervejas nossas cerejas nossas despesas
Despesas incalculáveis nem gosto de calcular
Prefiro tingir o cabelo de cereja, esquecer a despesa
Beber a cerveja e depois da cerveja simplesmente mijar!
Não se prenda não há renda o instante é o que há
Depois de tornar-se um simplório a vida é simples
É simplesmente ficar e ir ficando e levar
O problemático em levar é ir ficando e gostar
Triste destino de um simplório: gostar até de levar!


Renata Rothstein

Labirinto



A saudade dói, a saudade corrói o que ainda me resta,
E que entra por uma fresta, na ex-festa do meu coração...

O que resta... coração sorrateiro me esnoba, pela fresta que resta avisto portais
Resfolegando desperto percebo concluo a vida hoje é um porão, claustro guardião da minha companhia solidão


Noutros tempos havia festa naquele mesmo coração, janelas douradas permitiam a virginal visão, jamais imaginaria habitar os submundos perdidos na imensidão
De gélidos pálidos descompassados pedaços de vida retiro o antídoto que sara a ferida, invado a partilha de um passado imperfeito

Perfeito que ainda vive e ainda grita e ainda luta e crê e se agiganta
Reergo em sonhos minha enfraquecida alma, retomo a sonhada antiga direção que inadvertidamente esqueci

As feridas sempre cicatrizam, apenas uma cicatriz relata o tudo que fiz
Respiro levanto invento a ação esqueço o passado e acerto os ponteiros do meu sofrido coração

Contemplar novamente aqueles dourados portais da vida seria apenas e tão somente ilusão
Realidades vivo você vivo de mim mesma fugindo querendo me esconder e nessa fuga o inexorável me encontrar

Postergando extra labirinticamente encontrar a saída no permanecer
Caminhos impossíveis lamentam a inútil temida presença do nunca te esquecer

Permaneço
Solucionando serenidade será sempre sinal sonho
Sou sonhadora

Renata Rothstein

Horizontes



Monitoro o inquebrantável
No anseio mais insistente
De tornar o que já não se sente
Lindamente inominável agito

Lanço ao mar revolto o buscar
Minha revolta marulhando o voltar
Horizonte perolado mar espelhado
Espelha o que há de novo

Em mim, do início, que não haja um fim
Sou, sim, tudo o que jamais planejei
Falíveis bolas de cristal estilhaçaram-se
Diante do ouro do dilúvio do amanhã

A manhã derramada no eterno sim
Sinal do muito que está por vir
O porvir te chama, a vida clama
Acende aquela excelsa chama

Realidades subjetivas desfilam
Na minha ilusão objetiva
Nada sobra, pois o pouco tudo
Tudo, que ainda sinto, haverá

Tropeça na ferrovia via que fervilha
Fervilhante sinaliza sonora a hora
De ir e seguir e não parar não parar
Parar. Parar o tempo para que eu me vá.


Renata Rothstein

domingo, 21 de agosto de 2011

Brochuras



Brochuras mata- borrões carimbos e auto-condecorações
Corredores senhas números escadas decoradas descoradas
Caras descaradas, petições, papéis, babacas de samba canções
Escaralhando experimentam a velha senilidade onisciente

Nada muda nesse mundano imundo mundo
Latidos alardeiam lerdezas ilesas e veja
Dano nódoa nado nada dana não há dolo
A lei larápia lavrando a lentidão dane-se se é gente

A gente ao largo largada dardos dados dedurados duram
Perfazem a pessoal imprestável prorrogação
Cachaceiros classificam deveres como se tais fossem favores
Deuses derrotados dedilham dramas desconhecidos das dores

Promotores da patifaria promovem a picardia
Permanecem sentados gozando da estranha alegria
Sentindo sarcástico sentimento coça-saco-alegria
Banalizam boatos sérios reparando que a bundardia

Miscigenam a caralhagonia vivida no dia a dia
Rascunhando perfeitas budegas em papéis anti-higiênicos
Resolução bem clichê atuando o bundalelê no poder
Esquecendo propositalmente de cumprir o próprio dever



Renata Rothstein

Sentinelas





Sentinelas satânicas subservientes auto sabotadoras sacodem o sentido do ser

Quando toda corrupta inutilidade esvai-se ante o sopro da santidade

Serpentes arquejantes apelam ao chefe diuturnamente ausente

Amparadas pela amarga ilusão do ser escravo crendo exercer a escravidão

Aproxima-se o terrível esperado ansiado apavorante dia em que toda ira estraçalhada será, enfim, reduzida à nada

O que sempre foi continuando o caminho imutável de acreditar ser, iludindo-se crendo haver, insistindo no inexistir.

Das luzes artificiais sobrarão apenas as penas, aguardadas guardadas no pavor
Entre inimigos rastejantes o rastejo mais significante é o esconder-se e permanecer distante.

Calaria sabiamente se a comovente redundante cretina desistência demonstrasse a competência instigante agora desmoralizante do não haver possibilidade

Jardins de Allah projetados para aquilo que não há, jorrando exatamente maravilhas para tudo que ainda virá.

Haverá qualquer armadilha que ensine, eduque, castigue e retome o caminho distanciado de si mesmo perdido no meio da visão da possível prometida inveja do conhecer.

Hoje a única saída que traria alívio determinante seria apenas o não ser, o inverso do cáustico amargo percurso do ser, sem saber ao menos por quê.


Renata Rothstein

Laços



Eu preciso muito mais do que a não ausência que me queima, exigência
Anseio a presença que traga ilusão ansiada trazida por angélicas mãos
Marcadas. O tudo que torna aveludada e imutavelmente macia
Ser a serenidade, existência centrada encontrada na balbúrdia do nada

E não se anuncia, ente perene companheira paradoxo sazonal
Rebrilha. Ao fim do dia melódicos horizontes violáceos incendeiam
Trazem do incomum o todo caminho lácteo percurso nenhum
Sim, eu espero na calma aflita do conformado desespero calado


A tarde incendeia-se embalada deitada no suspiro violáceo sussurrante
Errante, o laço indissolúvel do ser para todo o sempre, crepúsculo meu
Na noite fantasmagóricos estalidos do breu a noturna brisa sibilante eu
Trará a manhã azul, o retorno, vigília, farol guia aguardo no cais o retorno teu

Renata Rothstein

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ciclos





Ciclo. Cio. Crio. Cedo. Creio? Cedo.
Devaneio iluminações transitando por terras prometidas não sei por quem
Silencio ciente do silencioso supersticioso silêncio sem saídas. Aquém
Anulam-se as certezas quando, postas as cartas todas sobre a mesa

Observatórios transitórios notoriamente anunciam o anonimato
Transacionando sensacionais anedotas fracassam sagrando o nada
Belígeros comboios lúdico lunáticos entoam seu tedioso mantra
Sangra na pureza da pena o dó do encontro no alvoroçado caos

Infalível, que te abraça, te ultrapassa, transpassa, ultrapassa
Dispensando o nó frouxo da dó desafinada dilacerada compaixão
Invadindo tão altivamente vivaz debulhando os cretinos grilhões
Aguilhões endereçados embaralhados ante a loucura normal

Na mesa sobram as incertezas expostas rudemente iluminadas
Pelas sempre verdadeiras cartas, que não mentem jamais
A saída é silenciosa e o supersticioso infelizmente não silencia
Cumprido o credo. Silencio, crio o sempre cio, inspiro o auspício, ciclos


Renata Rothstein

Lápides

Exaurem-se as novidades no regaço do fogo de palha
Assustados boquiabertos querubins colhem as flores esquecidas
Na soturna festa de nada mais nada menos que o nada mesmo
Dilapidadas lápides lapidadas laceram as lexicais lições

O suspiro inventado pelo fanfarrão vencedor do torneio
Dissonante disputa retumbante inferno repugnante
Nada divinal comédia inferno pobre de Dante
Ainda que por amor ao Amor venham os santos a entoar os cantos

Os cantos hoje vexados escondem-se fogem envergonhados
Pelos cantos e frestas de selvas que revelam a súplica da alma
Esconderijos ocultam momentaneamente o fogo que nunca se apaga
Não se cala no fundo da mala surge o encanto o monte inatingível

Fora o tangível sabido pelo ingênuo desconhecimento nada romântico
Avistando uma vez a lonjura celestial destinada somente - pasmo
Aos que a buscam enveredando-se doando adorando sem imposições
Estóicas ações a viagem avança esperanças nos estertores do que é

Passado. Ao limbo o presente imperfeito e o pretérito mais que perfeito
Fronteiriça enfermiça latejante grandiosidade permitida contra a vontade
Garantida pela escalada solitário e austero paradoxo da perplexidade
Os outros tantos cantos continuarão a ser entoados por toda a Eternidade


Renata Rothstein



sábado, 13 de agosto de 2011

Ouro da Tola



Oba.
Boa!
Quem disse que a estratégia do todo
Destoa?
Palhacinhos do não querer
Mascaram desmascarados
Amargam máscaras do solitário
Gozo do pensar que pensa o transbordante
Aflição repugnante
Bruxaria de iniciante
Insípida contadora de anomalias
Quem sabe, um dia
Saberá que ao olhar para trás
Já deixou de ser
Aquilo que nunca foi
Triste retrato da indigência mental
Estátua de sal
Cara de pau
Aturdida interrogo até onde a estrepolia
Estrapola.
Não desenrola.
Embola a esquizofrenia
Tirana pensando que “essa’ é boa
Não, não é
Gastando seu lixo tempo, à toa
A toada escolhe a rainha da tourada
Boa.
Espécie de sina a auto coroa.
Coroando no eclipse aquela piada
Oba.
Sabotaria o invento
Aproveito o divertimento.
Oba oba.
Essa é boa.
Compra a bijouteria achando
Que é ouro, a tola.
Atolada no oba oba
Esquecida que a vida é boa.
Boba.

Renata Rothstein





sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Insistências


Confesso impactos apelando ao que não há
Além do sol, novamente as supernovas
Alardeiam o ardente fugaz
Intenso flamejante inclemente brilho
Quando as novidades afloram
Disseminando inconseqüências
Polindo no breu espectrais imagens
Do intensamente radiante
Que, infelizmente, verdadeiramente
Aqui, ainda não há
O exagero da abrupta chegada e despedida
Lá, já não existirá. Será?
Resistirá, porém. Ao longo da tentativa
Eterna, a sincronia sinfônica lagarteia
Adiando a boreal inexprimível analogia
No momento em que se tornaria,
Simplesmente, já não mais havia.
Não, não a via. Luzes sobrenaturais.
Tão naturais, pontos de vista pré fabricados
Naturalmente empírico facetados
Auto desajustados ajustam-se à situação
Supernovas. Ilusões pirotécnicas
Do antigo novo universo
Do breu a luz
Para a luz dar a luz
Ao breu, que é meu
Há ainda, a luz.
A sempre vida minha, que é luz
Luzeiro inacabado fiapo de recém criado
Enveredando pelo devaneio abóboda celestial
Abobalhado celeiro produção artesanal
Nós, os loucos, os poucos, os roucos
Gritamos mas não somos ouvidos
Pedimos, e somos atendidos
Garantindo mais um pouco
O avesso do que decidimos
Cifrando dificuldades aleatoriamente
Continuamos, supernovamente
Antigos, por todo o sempre,
Fora do espaço e do tempo vigente.
Apaga-se a supernova. Levantada a cortina
O show é acabado, mas o drama não termina
Realidades, ilusões, ilusões reais
Sanam somente simbólicas soluçantes serviçais
Insistências, forças, desistências, resoluções.
Lutas, vitórias, derrotas, disparates, importâncias
Sigo. Insistente. Penitente. Renitente. Eternamente.

Renata Rothstein



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Doce Amado Lírio - Infantil





Doce Amado Lírio

Lírio, doce e meigo lírio
que me causa no âmago aflição
ante o teu brilho, receio concluir que
o beija flor se espanta, silencioso delírio
Branco, perfumado, desprezado lírio
Voa pelo espaço do meu doce alvo jardim
Lírio, teu nome é o doce para meus lábios
confusa a beleza da indignação
cativada tanto por singela formosura
me perco, me embriago, pela tua ternura
dos meus onze anos, até a idade madura,
nunca esquecerei, doce lírio deus da alvura
do amor que transformastes em agrura


Renatinha Rothstein - escrevi este poema quando eu tinha 11 anos...faz um tempinho, e de lá pra cá tive outras paixões, até encontrar o Amor Definitivo rs

Presente da amiga Kathy - lindo! Obrigada.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Portas de Fuga




Portas de fuga, portais existentes incriados palmilham a alma ilha
Reencontrada e perdida por entre trilhas ciladas faróis que erguidos
Renunciam ao posto herdado de algum antepassado cansado mistério enlutado
Lutar deixou de ser aliado no trato com os grilhões acéticos inquisidores

Sanguinários transformadores do vinho em vinagre iludem o oposto milagre
Inteirado do sádico insalubre ácido que resiste, persiste, repele o fremente
Mar exaurido das paixões, objetivo objeto das monções emoções dilaceradas
Arranham o céu as dúvidas ânsio-fóbicas debulhando o que é dividido no desigual

E eu queria somente antepor ao claustro monástico da minha alma desinibida
A pálida certeza indecentemente tão acertada que pelo todo torna-se refratária
O tudo não pode ser benquisto como posto tábua da salvação - sempre ilusória (?)
A tramóia dança à luz de velas enquanto vela o veleiro que conduz ao abismo

Destilado o sumo veneno da irracionalidade o louco vagueia sob as vistas
Grossas – do sumo sacerdote que investigativo intuitivamente decide
Desvenda pouco preocupando dando o irreversível dano palpite
Compreensível fio tenaz. O erro é imaginar pseudos feudos estruturas reais..


Renata Rothstein

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Eu, Renata




O delirante espectro da leitura da minha alma me conduz a caminhos antes e depois percorridos ininterruptamente, idas e vindas mirabolantes em que o depois transforma-se no antes para que o presente faça todo o sentido.

Sou eu, sou assim, Deus me livre de definições, sou indefinível por Natureza, a minha reza é a Transparência, a minha regra é a busca pelo Transcendente, relevante, pelo menos p'ra mim.

Febril agitação corrida em que tudo, sempre, se encaixa.
Instigo, construo, agito, badalo, me abalo, me desabalo, porque assim, tudo se basta.

A vida, por si só, basta.


Beijos com carinho!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Silêncios


Silêncios. Gritos. Servos. Senhores severos
Na casa vazia grita a terrível companheira solidão
Fantasmas de natais passados invadem a cena trazem à tona
Mercadorias barganhadas outrora , gritante sofreguidão

Desleal a anfitriã alegria sorrateiramente observa o presente
O presente passado esquecido é pisado, socado, silenciado.
Memórias alienígenas vacilam repercutindo o tino da agrura
Cálido espectro de aço inventado gerado soprado sobrepujado

Erguendo o cajado relíquia de íntima presença reluzente
Sabidas caladas traçam a troça da rota temida
Alhures perene marcada alcançada fábula remida
Enferma manhã bela irmã extremamente cansada

Gritam os silêncios quando na obscura profundidade
Antevêem céleres os célebres anfitriões da verdade
A marcha insistente conhecida apenas pela duplicidade
Somente consente apóia assiste inominável dignidade

Renata Rothstein


Subterfúgios




Personagens indefiníveis estereótipos da própria razão
Trafegam pelo porto visionário antiestático da vida
Esvaziam-se perante as adesões os leões covardes da melancolia
Eu mesma, personagem auto desconhecida, insisto

Persisto em busca de esquálidos ajustes inalterados
Buscando a direção - engano - teima a direção errada
Espelhos ilusionistas trapaceiam na fronteira do flagrante
Quando fragrâncias evidenciam trajes pioneiros de pensamentos

Confusos cantados camuflados pensamentos derrotados
Quiçá existiram e assim, ao por do sol, partindo
Invertem o princípio da busca, a missão do destino
Tornam-se os donos das razões estrategicamente irracionais

Peregrinando sonhos usurpadores do sentido
Alternam campo e cidade, mar e saudade, flor e beijo
Alteram alternando altares alter egos e alienações
Nações fugitivas irrompem dentro do meu peito

Acometido pelo gênero espanto alegria temo
Encorajo, labiríntico caminho, persigo a saída e não acho
O verso alardeia a calma encontro a mim mesmo
Procurando cicatrizar a ferida trafego pelo inverso do revés

Revezo fogo, fogo que ateio, transito pela intransponibilidade
Invisível alheio trafego precipitado
Transitoriedade perpétua indisponibilidade
O tempo estipulado por juízes insubordinados

Ordinariamente subornados desafiantes insignificantes
Não me afeiçoo a presentes pretéritos provedores do fim
Escolho a idílica sensação redentora e perversa do inevitável
Destoando da irrisória desfaçatez das máscaras

Execrando o desnecessário viver, não fujo
Realizo e interminável, refuto o não ao perdão
Acho no árduo caminho o fugaz eixo
Encaro, descaro, desmascaro o subterfúgio, me deixo.


Renata Rothstein







domingo, 7 de agosto de 2011

Cartas para o Absurdo

Cartas sacrílegas para o absurdo
Tornam-se estranhamente sãs quando
Dentro das manhãs malsãs pergaminhos
Inóspitos são os únicos consoladores

Escravos insólitos do escarninho contam anedotas
De terceira, cristalizados na falta do haver
Suficiência generalizada drogando a corte do poder
Sim, é transubstancial a apelativa norma da tristeza

A realeza desrealiza-se, desacelera e desnivela
Tramando o que se anela, há nela o desvelo cósmico
Genético código ético o poder torna cético
O que nele crê, descrente de sua capacidade de ver

Sobressaltos e sabotagens , lugarejo árido lunar
Jeitos, coisas, pessoas, sortilégios sinceros
No meio do deserto, eu, solitário, encontro
Amortecido, uma luneta, muleta, bola de cristal ou tal

Tudo que se enxergava através daquela luneta
Era a distância embaçada no meio da vida-estrada
Um horizonte presente e distante, breve e vibrante
Escorrendo por entre os dedos cansados do nada.

Afinal vago vestígio, me perco, me centro
Acercam locadores loucos do destino
Vagando vagueio no vagão da antiga solidão
Eternamente. Séculos afora, vidas adentro.


Renata Rothstein

sábado, 6 de agosto de 2011

Um dia...





Um dia.
Imaginado imaginável inimaginável dia
O incerto transverso certo intrigante dia
Indica o farol do velho arrependido - por quê?
Quando já será encerrado o tudo que já se extinguia

Neste dia, alaúdes citarão realizados
O olho da sílfide de esguelha tudo vê
Entremeio entrevendo o entre-sai da zombaria
Cítaras citarão que os portões nacarados

No teu delirante sonho, humilde
Teceram-se sem grandes alardes pela amplidão
Daquele céu violáceo, que por segundos
Fez-se dantesco somente para exasperar

Saber real a possibilidade do impossível
Ser verdade, tornar a visão nítida e precisa
Quando faróis de olhos invisíveis te seguem
Perseguem, açoitam, corrigem, repelem

No estalido do piso por pés que estes chãos
Nunca pisaram, concertos consertarão
O que resta do que nunca houve, do que nunca ouvi.
A Chama Rubro da Imperatriz reinará, a ferro e fogo

Trará, com ensaiado escárnio "misencênico"
Aquele que semeou a guerra,
Plantou o dual e colheu o fogo.
Assuma! Suma. Troque sua carta de envelope

Mantenha a mensagem infra-miséria
Da anti-matéria destoante do tocante
Faroleiros autodidatas declamarão
O que os olhos terríveis invisíveis
Ensinaram - aprende-se a lição.

Cumpre-se a missão. Citado teu desconhecido nome pelas cítaras
Terá cessado a zombaria - esporrástica anomalia
Compreenderás que os deuses fagocitários
Prestarão a honraria, sorria pois,
Se repelem, corrigem, açoitam, perseguem

Trazem em carruagens fantásticas a sonhada
Outra vez alcançada miragem sofreguidão
Anoitece e o dia acontece, a noite transforma-se em dia.
Ex anomalia..
Um dia.

Renata Rothstein

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Meia (Infantil)

Eu perdi a minha meia
Quero o meu par de meias
Apesar de serem "meia"
São duas e são inteiras!

A minha meia, aonde pode estar?
Eu sei, estava bem aqui
Mas, quando eu vim calçar
Minha meinha já não vi.

Se alguém sabe algo dela
Me conte, aponte, por favor
Quero esquentar meu pé
E sem ela, como vou?

Amiguinhos, me lembrei
Fica tudo bem assim
Fui eu mesmo que esqueci dela
Brincando, lá no Jardim!


Renata Rothstein - Baseado em fatos reais - A Vida de Ana Clara e Bernardo \O/.

Gaivotinha (Infantil)





Voa Dona Gaivotinha
Traga meu soninho sim
O Solzinho já se foi
E deixou um beijo p'ra mim

Dona Gaivotinha,
Companheira igual não há
Guardamos meus brinquedos
Amanhã vamos brincar

Já são oito horas
E é hora de dormir
Beijo, Gaivota
Agora eu tenho que ir!

Na minha caminha
Eu vou me aquecer
A mamãe me disse
Que assim eu vou crescer

Então voa Gaivotinha,
Boa noite p'ra você
Um abraço na Mamãe
E eu vou adormecer.

Pra Ana, pro Bernardo e para todas as crianças do mundo!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Acordo pelo Acorde.

Acorde pelo acordo, acorde, descumpra o acordo
Discorde.
Desfeito desfaz-se o inócuo acordo.
No desacordo acordada desacordo do acordar.
Febrilmente agito a minha vida,
Quixotesca.
Tremeluzente no pálido sonho abortado
gris conversações convergem incoerências
lúdicas ao encouraçar perspectivas
Antes do amanhecer e reconhecer o intrépido
conhecimento solitário cavalgando silêncios
dentro do "esperancialismo", vulgar catavento,
cata pelo tempo sancho-esperanças
sabotado pela cruel realidade contenta-se
o bobo da corte corta a cortina
revela a saída e a guilhotina
Indestrutível, acordes me acordam
Acordada, portanto, acordo.
Concordo.
Aceito o acordo, desvalido o engodo.
esbarrando em abismos atravesso a barreira
a bandeira companheira essa não desistirá
resistente heroína de batalhas inverossímeis
O ontem jaz, cadáver inocentado pelo jamais
e o amanhã é feto cortina transparente
expectativa culpabilizada pelo ainda não ser
quixotescamente vivo, empalideço ante o antes
sobrevivo troveja em mim o depois
Desperto desprezando descrente desesperos
Acordo pelo acorde, acordo feito, acorde.
Concorde.

Renata Rothstein

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitães etílicos



Enleio divago serenamente furiosa
ao contemplar estarrecida entristecida
os divagantes gigantes capitães etílicos do céu
Desativando a guelra metaleira
gritada da nau espacial anoréxica
histérico transporte bajulador
baluartes de anti-terror
Irresistivelmente atraída para o abismo
a mando de quem, a cultura do horror?
Inconformo, não sou absurdo robótico
movido dirigido por controle remoto
as naus espaciais trazem o nada -e trazem mais
transportam o infinito desejo de ser capaz
de deixar infinitamente o todo
do tolo tudo - para trás
Desfaçatez inconsistente inconsciente descrente
jogando a rede os pescadores pensadores
enregelam-se ante o contraste incontrolável
inconstante , que nunca houve
quando a insubordinação precipita-se
na lixeira do semi inconsciente
coletivamente recolhe-se o imprevisto
a previsível mesmice debate-se
singularmente, invólucros da saciedade
Fujo - o abismo sideral atordoa, invade,
toma de assalto, liberta o que aflige
dirige miraculosamente sem enxergar, a vida
que já não seria a mesma
nau espacial especial que espelha
influxos anti-sabotadores da guerra
hesitante obtenho o êxito inesperado
Incendeia a cidade mundo - em mim.

domingo, 31 de julho de 2011

"Amorlóide"




Liberte-se o grilhão da auto piedade
Nefasta absurda pura destruição
implode a inauguração do gênero açoite-perturbação
enquanto afirma enlouquecida néscias tentativas
"embolíticas" estado crítico da afeição
embola no bolo vende o ouro de tolo
ao pedinte a esmola parecerá mais triste
e nem - perdão - me compadeço
refletindo no lago da amargura
o conceito exasperado mirrado
de não se obter no ter o que procura
tropeços troçam da sua posição
Aos conhecedores da mágica magia cifrada
Decifrada e violentamente sacramentada
nostálgico sonhar pesadelo zumbístico
"Amorlóide" nem amor nem orgia
Destroçar o troço insistente
Urgia que se fizesse enquanto nulidade
rugia no antro do "não sei..."
Foguetes introspectivos da sanha
insana desvirtuada pseudo irônica
treva da incompreensão tempo vento
Paranóicas psicocrenças pseudo despudor
No furor do desprezo rascante
torpezas inocentes inócuas
Solitária folia?
Deo gratias. Anti sintonia.
O tempo que tudo leva
Eleva. Releva. Me leva. Me vela.

Lilo, o Esquilo - Para a Ana Clara e o Bernardo





Lilo, o esquilo

vive sempre a brincar
quando está contente
ele não para de pular
Esquilinho lindo,
amigo igual não há


Pula, pula, pula
coçando o nariz
Lilo vem dançar,
ser feliz
e pedir bis
E o nome dele é Lilo
Lilo o esquilo
Vamos, amiguinho
então aproveitar
Porque daqui a pouco
é a hora de almoçar
A mamãe esquilo com carinho
diz assim:

Lilo, amorzinho,
dá um abraço em mim!

Já disse esquilinho
é hora de "papá"
Junte as mãozinhas
porque nós vamos rezar

Ao Papai do Céu
eu vou agradecer
e a minha comidinha,
toda, toda vou comer!



Lilo, o Esquilo. Compus com todo o Amor para os meus bebês e eles adoram :)
Às vezes tiro no piano...é ótimo, com Lilo, o Esquilo, por perto, eles sempre comem tudinho!

Pluralidades



Pluralidade intensa intencional
de multidões incorruptas febris
de devocionais anjos portentores
dos terríveis mistérios abissais
daquilo que sempre será ainda,
ainda não sendo encerrado,
Tempo...inexiste futuro, passado.
Sobrevoam paulatinamente sobrepujando
angélica mega infantaria
sutil solene silente sobriedade
o todo imenso mundo ardiloso leque
Possibilidade.
atravesso ignorando os gritos dos insatisfeitos
translúcido agreste celeste fértil
vale, de tudo aquilo que vale
Em mim, artifícios assombram
justo pelo que nada representam
irrompem afrouxando o fato
Insaciável gula pelo factóide
Os Anjos indóceis guerrilheiros
são a minha constante companhia
presenciam a precipitação,lenta agonia
dos bizarros anti-cupidos que,
esculpidos cuspidos desfaçatez do gozo
atormentam, exaurem, esgotam
indiferente aos apelos lodosos
apelo apenas apagar a ausência
Sigamos.
Não há outro jeito,a não ser
avançar pela porta, alcançar
transpostos os elos do selo
do zeloso ancião erro.
Basta, portanto, a guarda
Os Anjos Espadachins conduzem
A volta trinfal que apresenta
o portal do horizonte,chego
Aporto tal parto, assim
Chego e descubro por onde eu vim.
Enfim. O fim.

sábado, 30 de julho de 2011

Presente da Milene Sarquissiano

Poemeto lindo da minha amiga Milene - Amei!!

Sinfonia                                  

se renata

serena tá

serenata

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Janelas


Abro as janelas da Alma
recupero minha inexistente calma
sondo o inexorável, tateio
livro de comédias da vida,
leio, releio, para ver se creio
Vivo tão somente o inexplicável
E, sendo, sempiternamente
O que sempre desde eras desconhecidas
Fui, ainda me surpreendo ante o que não foi
Desfragmento desoriento rendo graças
ao meu multifacetado ser
Continuar andando é o que faço
Observo: ampulhetas ameaçadoras atentam
Intentam, ninfas pecadoras
protótipos das porra-loucas
Destemidos emissários divinais,
cintilam e desabam divisando
a óbvia obscenidade
Faz-se tarde, cobra-se a concluída decisão
Game over. O destemor ainda vem antes
da chegada soturna e antiga
Da solidão.

Renata Rothstein

Compaixão & Com Paixão


Meu Amor, Eterno e incondicional
Eterna Manhã, nascente, resplandece reluzente
Está em mim, "Amor Eu", intensa completude
Avança em minh'alma tornando-a só tua
Como esta morada infinita, esta presença
Secretamente às multidões declaro meu amor gritado
Amor que acalma, amedronta, adormecido desassombra
E vivo, vive o quanto vibro, você.
Sombra sem tato, tateio o inexistente
escoando pela pluma o gigantesco
intenso, portal, que decerto virá
Inexoravelmente
Reflito no teu reflexo receio recear
sem nexo, anexo meu sexo, te testo
Todo o teu ser, ver teu ser, ser.
renascerei amanhã, enquanto os tolos
repousam inocentes em seus leitos
Encontro inexplicáveis jeitos, eleitos
Imersa na luz extremamente clara
absurdamente emergindo da manhã
eu adentro no raio ofuscante
Me rendo, aprendo,
dia após dia
deliciosamente, a decorar você.

Renata Rothstein

Cedo entardeço


Entardecendo cedo certamente cede
minha alma, que cegamente, segue
em meio aos familiares, contadores de histórias
eucaliptos, semi fantasias da solidão
percorro, corro, coração hemorrágico
o sofrido sangue sereno solfêjo
do que, juro, havia, naquela miragem
mirabolante manhã
Quando calabouços ainda tremiam, fremiam
eram apenas o arcabouço
Predições, artes, magias benfazêjas
o tudo, que contudo, ardia
Desfazia-se.
Do pó ao pó, finda-se o dia.
sigo pela trilha a estranha matilha guia
daquilo que nunca foi
num dia que não havia
Escolha da vida? ou minha?
Semeando sigo silenciosamente
Diuturnamente entre a matilha insolente
Solenemente aplaudo o caos,
avisto os eucaliptos, do cais.
Carrego no ombro o realêjo,
ambíguo mensageiro da sorte
Encaro o poente, anoitece
Morro a vida e vivencio a morte.

Renata Rothstein



Arthur Rimbaud

L'ETERNITÉ
Elle est retrouvée.
Quoi?
L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise: enfin.

Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi? –
L'Eternité.
C'est la mer allée
                      Avec le soleil.
                         [Mai 1872]


                        A  ETERNIDADE                             (Tradução:  Augusto de Campos)


De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? –
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.


Bela  inspiração para quem espera a invasão de Eternidade. Eternização.

"Vamos apreciar sem vertigem o tamanho de minha inocência."
            Arthur Rimbaud

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Antiteístas hieróglifos

Averiguando a vida, livros ordinários
julgo: o juízo não se faz mais necessário
quando aquilo que se pressente
o nada do totalmente inexistente
que já se fazia, de fato, em brumas se consumia.
Sumia.Sem sentido.
 Cem anos, viver contido. Contrito.
Contententamento sequestrado
contundentemente veio
e revelou-se, furor franzino
Daquilo que eu  ainda  poderia
traçar, compulsivamente, usando
compassos ilusório-efervescentes
Mais tudo do que o existente
é somente o ter no âmago do amanhã
 a ânsia tão ansiada, cansada
 esmagada brutalmente
renegada ao direito de estar.
Quando as luzes de neon avisam que é a hora da partida
cavalgo céus recolhendo estrelas
Lembranças...
que de alguma forma
me tragam à  memória
Misterioso pensamento
Hierografado.
Arco celestial apagado
Antiteístico espetáculo
cometas fugidios surgiam
enquanto no caos nascia,
destemperada,  a tempestade
 chegada tarde, e ardendo no apêlo,
 Apelo, não me impeça de tecer castelos
não peça, nada pode impedir
desordenados indesejados furacões
às vezes surgem, sem ninguém pedir
Ou impedir.
E, com mágicas mãos feridas
do arado trilhado no chão
da caminhada indefinível - sem chão
Ato contínuo, continuo sozinho no ato
perco o chão, ao exercer tão somente
latente obviedade
realidades vindas tarde.
Aquilo que se faz ausente.
Real é a momentânea
realidade permanente
da presente solidão.

Renata Rothstein

Sincera anti-santidade

Não, definitivamente
eu não quero ser santa
a santa anta meta mesmice
entregue aos deuses da semi-tolice
Meu valioso valoroso prêmio
Premiada sem vergonhice
quando os falsos pudores arranham
explosivamente de supetão os arranha-céus
que cruelmente cruamente implodem em mim
Eu desentravo no trago o espanto
no tempo do mapa info-trapo
Revelo em auto-relêvo no enlêvo
Da vida que sem peso e sem pesar - vem.
Prefiro a sofrida bem vinda agonia
À fingida detestada alegria
De viver sem ser - de fato
tudo aquilo que na verdade se é.
Se é que é.
É.

Renata Rothstein